quarta-feira, dezembro 29

Fireworks

"... But now no matter what I say,
Just look at the fireworks!"

Todo fim de ano, época do Natal e do Ano novo, me faz refletir. Não só na questão da perda do significado religioso do Natal e nas promessas que muitos dizem que vão cumprir... Mas também em umas outras coisas que também nao me deixam em paz.

Tento imaginar o que sente num dia desses alguem totalmente fora da nossa cultura: um judeu; um mulçumano; um monge budista, que mesmo estando fora de nossa cultura ocidental cristã, recebem influencias sendo elas desejáveis ou não. Qual o sentido de toda essa festa  cada vez mais globalizada para eles, ja que o nascimento de jesus não possui a mesma importancia para os não-cristãos.
Para exemplificar o que digo, vi uma reportagem exatamente sobre isso. A reportagem mostrava o natal comemorado no Japão, sem um pingo de teor cristão, e sim  com um teor romântico, como o dia dos namorados ou algo assim! Também vi na mesma reportagem, um Papai Noel distribuindo presentes para crianças carentes de um país islâmico, que agora não lembro qual. Fico pensando que são crianças que nunca conheçeram o Papai Noel, nunca viveram o mito do "só criança bonzinha ganha presente" e nunca viveram o sentimento de descobrir que Papai Noel era seu proprio pai disfarçado.

A Situação contrária tambem veio a minha mente. Tenho alguns conhecidos judeus, e um dia fiquei sabendo que era o Ano Novo Judaico. Sinceramente, a primeira coisa que pensei foi "e daí? Que sentido tem um ano novo se não muda nada? Nem passei de ano ainda!"  E um dia, pensando no "meu" próprio Ano Novo, pensei na mesma coisa... E daí? esse dia é apenas um dia como qualquer outro. Penso em tudo o que o Ano novo ou o Natal possa significar, mas no fundo parece tudo ser apenas sentimentos vazios, muitas comemoraçoes  pela passagem de um dia para o outro e nao por mudanças verdadeiras. Tristemente, minha conclusão é que o Ano novo, assim como o Natal, pode ser considerado um dia como qualquer outro... Qualquer feriado que comemoro me parece ser um dia qualquer... Afinal, que direito tinha eu de achar que o Ano Novo  Jucaico estava sendo comemorado em um dia errado?

Toda essa reflexão sempre torna-se pouco importante quando vejo os fogos de artifício, pela janela do meu quarto, junto com minha família. Por um momento, tudo o que importa é um sentimento indescritivel para mim... Não é aquele sentimento de passagem, de que algo novo está vindo e algo velho ficando para trás. Isso  simplismente me parece ocorrer a cada dia de minha vida. Nao quero ficar preso naquele sentimento que me pareceu tão vazio algumas linhas acima. Se for pra nomear esse sentimento que sinto, eu diria "Esperança". Não esperança no ano que vem chegando... Esperança, não sei em quê, ou em quêm., ou porquê. Nesse momento ja parei de refletir e deixei a emoção tomar conta!  ^^

 
Angra - Fireworks
Deixo essa música que tem tudo a ver com o que escrevi nesse meu primeiro post, espero que gostem.






sexta-feira, dezembro 24

Palavras Vazias

Eu gosto muito de comemorar o Natal e o Ano Novo, mas confesso que é simplesmente pela beleza do momento, reunir a família e os amigos, respectivamente, e aproveitar uma comida bem gostosa.
O único problema, são as palavras vazias. Eu nunca sei o que dizer, penso que para desejar Feliz Natal e comemorá-lo da maneira correta, seria necessário um contato muito profundo e dedicado com as minhas convicções religiosas. E isso não é fácil, seria algo que tomaria grande parte dos meus dias, na verdade duvido que em um ano eu obtenha algum resultado.
Se for parar para pensar, não se é correto sair por aí desejando Feliz Natal, no meu aniversário eu não saio desejando Feliz Aniversário a todos. Eu sei que há uma razão sentimental, envolvendo algo como caridade, respeito e amor ao próximo. Porém é um tanto quanto pérfido você querer se tornar uma boa pessoa apenas no dia 25 de dezembro.
É bonitinho ver crianças acreditando em Papai Noel, mas perde a beleza quando se descobre que uma criança cria esperanças de que o bom velhinho apareça pela primeira vez em sua casa, com um presente para ajudar a família, com 5kg de arroz, por exemplo. São momentos como esses que me fazem pensar que tudo o que as pessoas me desejam de Natal, é vago.
Eu não desejo nada de bom, eu quero que façam algo de bom. Então, peço que nesse Natal, Ano Novo, Páscoa e qualquer outro dia comum, você deixe de desejar coisas boas. FAÇA coisas boas.


quinta-feira, dezembro 23

Qual discurso você realmente ouve?

De todo o bombardeamento informacional, característica dos nossos tempos, no que você se detém? Que tipo de discurso realmente tem valor para você?
Ignorar. É o que aprendemos a fazer nos dias de hoje. Afinal, são tantas coisas com o que se preocupar, não é verdade? Dinheiro, banco, emprego, carro, trânsito, atraso, chefe, promoção, relatório, computador, ipods, ipads, orkut, facebook, twitter, amigos, esposa, namorada, família, natal, ano novo, jantar, presentes, dinheiro, atraso, sono, trabalho, tv, computador, twitter, facebook, blog, carro, trânsito, atraso...

É preciso ser muito habilidoso para ser ouvido, essa é a verdade.
No mínimo, ser mais interessante que uma Tv 3D...

domingo, dezembro 12

Um encontro

Hoje fui abordado. Não, não de um jeito negativo. Ninguém me assaltou e eu não fui vítima de nenhum sequestro relâmpago.
Vou contextualizar: nesses últimos dias fui obrigado a usar o metrô devido a provas na rua Vergueiro. Hoje, por ser domingo, o vagão não estava tão cheio no horário de pico (quem já pegou a Sé às 18:30 sabe do que eu estou falando). Enfim, conversava com uma pessoa X sobre os assuntos de sempre, profissão, ciência, e blá blá blá (todos esses assuntos de que tratamos quando temos apenas uma coisa em comum e nenhuma intimidade com o querido interlocutor) até chegar no assunto mais interessante, que rendeu-me a abordagem: arte. Oras, esse não é o tipo de conversa que se tem com alguém que você mal conhece, não é um assunto "de sempre". Mesmo assim não pude me conter. Sim, eu me empolgo ao falar de arte. E falando, falando, falando chegou a estação de X. Tristeza, o assunto estava tão bom!
Sentei e esperei as duas estações restantes até o meu destino, quando um homem, que estava sentado na minha frente durante toda a conversa, virou-se para mim, entregou-me um papelzinho e disse: "este é o e-mail de uma organização a qual pertenço" Essa organização é a GA Jardim Aricanduva, ou melhor, Grupo Articulador Jd. Aricanduva, um apêndice local de um projeto da Unicef chamado Plataformas Urbanas, pelo que ele me explicou, e pelo que eu vi no site. São ações organizadas pelas GA's para melhorar um pouco a qualidade de vida de crianças e jovens das tão problemáticas metrópoles brasileiras.
"O grupo é formado por pessoas insatisfeitas com a realidade das grandes cidades. Queremos mudar essa realidade"

Essa abordagem tão súbita me fez refletir: "Como você quer mudar as coisas, Gabriel ? Sem nem conhecer o que de fato está sendo feito."

Amadureci um pouco mais com esse encontro tão singular. Ainda bem que o metrô é um dos poucos lugares onde pessoas de diferentes camadas sociais se encontram. Ainda bem que peguei o metrô essa tarde.

quarta-feira, dezembro 8

Eros


Milo Manara. Desenhista de quadrinhos eróticos, ao receber a afirmação de um entrevistador que considerava suas mulheres mais sensuais do que uma mulher real nua, disse: "Acredito que o órgão sexual mais importante é o cérebro, e o desenho viaja sempre no mundo da fantasia. Não se trata de pessoas reais mas de sonhos fantásticos." A princípio essa afirmação não me agradou, pois sempre considerei que, quando se trata de sexo, o cérebro nada tem a ver com o corpo. Já explico: os sentimentos eróticos são um reflexo do instinto de procriação, isso significa que a razão fica de fora das nossas "brincadeiras sexuais".
Era o que eu achava, até penetrar um pouco mais na questão. (Com o perdão do trocadilho :D)
Percebi que, de certa maneira, estava errado -de certa maneira pois o instindo de procriação é um fato- uma vez que não é somente o instinto que nos faz ser o que somos.
Há algo mais. E esse "algo mais" é justamente a nossa impressão sobre a realidade que nos cerca. Oras, não seria TUDO uma impressão abstraida da realidade, por nós mesmos? Música, pintura, desenho... Isso somente no campo das artes. Mais: Amizades, amores, conhecimento,o próprio sexo, etc. A realidade é quase que consumida e digerida pelo ser humano, ou seja, ele a capta, aproveita o que lhe convém (que transformamos em sentimentos positivos ou negativos) e joga fora o que não foi apreendido.
Nesse sentido Milo estava certo, ele consegue, com a habilidade de um artista, fazer-nos ter a impressão de que aquilo que de fato não existe, é mais belo do que o concreto, uma vez que, para nós, o desenho, ou a música, ou a amada, é real em nossa própria "fantasia", em nossa própria impressão de mundo.


Questionem-se.