O que significa ser mentalmente saudável ? Como atingir a saúde mental ? Essas perguntas são inviáveis em se tratando de psicanálise, pois, sendo a cura um objetivo, ela não pode ser plenamente alcançada em sessões psicanalíticas. Em outras palavras, a psicanálise não procura sanar qualquer “doença” que acometa a psiquê do homem. Não há um objetivo certo para essa atividade, nem tampouco um método perfeito para se analisar uma pessoa. Daí o fato de serem poucos os analisandos que recebem “auta” de seu psicanalista. Assim sendo, a psicanálise está longe de ser considerada uma atividade objetiva, científica. Esta é, sim, marcada pela subjetividade, subjetividade que é uma característica essencialmente humana.O próprio pai da psicanálise pode ser considerado um exemplo dessa subjetividade que marca as sessões. Sigmund Freud, médico, cientista das ciências neurológicas que era, decidiu acompanhar os problemas mentais (que até então eram as loucuras passiveis de internação) por uma outra perspectiva. Saiu dos laboratórios para o contato humano, em encontros de puro diálogo, na esperança de estudar e entender o que se passava com esses mente carpos. Através da hipnose, Freud constatou que a loucura é causada por problemas psicológicos, não orgânicos, como se acreditava até então. Por isso decidiu largar a objetividade do laboratório e entrar na subjetividade do diálogo.
A partir dessa escolha, Freud propôs um método para o tratamento de problemas psicológicos, como a famosa histeria. Dividiu a psiquê humana em Id, Ego e Superego e estava especialmente interessado nas relações entre essas 3 unidades. Ora, essa análise critica sobre o consciente e inconsciente indica que apesar da subjetividade, a psicanálise não deixa de ser uma atividade racional, com uma lógica perfeitamente aceitável.
O filme “Cisne Negro” de Darren Aronofsky, lançado em 2010 exemplifica essa relação entre psicanálise e subjetividade. Apesar de não haver qualquer citação sobre uma sessão analítica, o filme expõe o psicológico de uma dançarina de balé, que sofre de diversos problemas referidos por Freud. O mais chamativo é a repressão da pulsão sexual sentida pela protagonista por seu mestre. Análises à parte, uma questão pertinente sobre esse drama psicológico pode ser feita: haveria cura para Nina (protagonista) se ela fizesse sessões psicanalíticas periódicas ? Ela estaria completamente livre de suas neuroses se visitasse um psicólogo, ou psiquiatra ? Provavelmente não, já que sua mente é pressionada por todos os lados. Mas isso não quer dizer que a análise não melhoraria sua qualidade de vida com o passar dos tempos, na medida em que ela entenderia um pouco mais de si mesma e de suas limitações.
Outra obra de excelente qualidade, que demonstra a subjetividade na psicanálise, é o livro “O Alienista” de Machado de Assis. Nela, o médico Simão Bacamarte, procura, assim como Freud, entender todas as “moléstias mentais“ e desenvolver um método para cura-las. Porém o “psiquiatra” se entrega a uma objetividade incompatível com a atividade psicanalítica. O resultado disso é a internação de toda a cidade no hospício construído pelo próprio médico.
Entende-se, então, a presença da subjetividade na psicanálise e até a necessidade dela para o entendimento do analisando como um ser humano. Não há curas, não há certezas, o que há na psiquê do homem é somente fantasia, e é com essa fantasia que o psicanalista deve trabalhar para garantir que o analisando não sofra com suas “loucuras”, tão humanas.
Um pequeno texto produzido para outra finalidade. Achei interessante colocar aqui para dar uma base de reflexões sobre o filme em discussão no tópico anterior.
ResponderExcluirDeitem-se no divã e aproveitem a refelxão!